domingo, 23 de novembro de 2014

Sou melhor mãe do que Tu!!

Lia a Lux Woman de Dezembro quando me deparei com este artigo, do qual passo a citar a nota introdutória:

" Imortalizar a barriga de grávida em gesso para a posteridade, guardar a placenta num frasco, investir na criopreservação do cordão umbilical, amamentar até o filho ter os dentes todos: os meios multiplicam-se, mas rumo ao mesmo fim, conquistar o primeiro lugar no pódio de um concurso imaginário de melhor mãe do mundo. Será que faz sentido?"

Ao ler o artigo fui-me identificando bastante com o que a autora escreveu, parece que ser mãe se tornou uma competição, parece que têm de sentir reconhecimento de que são boas mães perante outras mulheres, "mede-se" a boa estimulação através do que os filhos fazem antes dos filhos das outras, como sentar-se ou andar...quer se mostrar que se é supra-sumo como profissional, dona de casa, mãe, esposa, mulher (sempre bem arranjada)...mas para quê? Qual a necessidade que vêem em mostar aquilo que não são ou que não sentem??
O que interessa o que os outros pensam? Cabe a cada uma na sua consciência dar o melhor de si, e cada qual saberá o que é melhor para a sua familia...
Odeio Extremismos, cada vez mais.
Hoje em dia quer-se dar às crianças o melhor e inscreve-se os miudos em tudo...inglês, ballet, ginástica, campos de férias, equitação, natação,...e no fim disto tudo onde é que está aquele tempo em que as crianças podem brincar livremente? Onde está o tempo em que se faz alguma coisa em familia?
Aos 6 anos já toca piano e  fala inglês, mas nunca viu uma ovelha, nunca correu à chuva, não conhece os primos, nunca pintou com as mãos...é isto que se quer???

Nesta constante correria pode ainda falar-se nos melhores artigos de puericultura, nos melhores kits de emergência, nos melhores ovinhos, carrinhos mais tipo Ferrari...
E tudo isto faz as mulheres sentirem.se mais mães, melhores mães...


Amamentar...a eterna questão debatida

Uma das tendências é a da OMS que tem vindo a proteger, apoiar e promover o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade...por mim tudo correcto, desde que seja proveitoso para ambos os lados...ou seja, que a mãe não sofra horrores com isso, não a incomode, seja uma escolha sua (visto que o bebé também é seu) e que o bebé fique suficientemente alimentado...caso contrário sou absolutamente contra sofrimentos...
Obviamente que em países em vias de desenvolvimento esta questão da amamentação deixa de ser uma escolha para passar a ser uma diferença...ou é amamentado e sobrevive, ou na maioria dos outros casos não...mas estamos a falar de situações de pobreza extrema...
Contudo, a partir dos 6 meses é extremamente importante para um bom desenvolvimento que se inclua na dieta sopas e papas, fruta, o que não quer dizer que não se continue a amamentar, e repito novamente, desde que seja proveitoso para ambos.
Muitas crianças saudáveis (como é o meu caso) pouco ou nunca mamaram no peito das mães...fui alimentada a biberão e ainda aqui ando fresca que nem uma alface...
Depois existe aquela questão da vinculação, e esta não depende de todo de quanto tempo fomos amamentados ou quantas vezes a nossa mãe nos deu o biberão, mas sim dos elos de ligação e afectividade que se vão construindo ao longo de todas as etapas do crescimento, do colo que recebemos, dos miminhos...e esta vinculação pode não ser apenas com a mãe


Placentofagia...(que nojo)
Trata-se do hábito de guardar a placenta para depois a comer...não se trata de nenhum ritual estranho, mas realmente parece...blerght.  Mas, pelo que parece está a pegar moda nos EUA e dizem ter inumeros beneficios para a saúde, e começou a fazer-se devido a alguns animais também o fazerem como as gatas por exemplo.Até já foi criada uma nova classe profissional de pessoas que preparam a placenta para ser comida...
Epá...desculpem me lá mas não sou gata. De todo!!

Criopresevação
 Por cá ainda só se houve falar na criopreservação das células estaminais do cordão umbilical , pois supostamnete têm um potencial regenerativo e terapêutico...embora também haja quem defenda que transplantar um doente com as suas próprias células não é o adequado...um assunto muito discutivel...


Ora bem, então para ser boa mãe tenho de amamentar, comer a placenta e gastar um balurdio na criopreservação, já para não falar na parafernália de acessórios XPTO que tenho que ter (e alguns nem vou usar nunca)...certo???
Para mim não...acho que somos melhores pais e mães quando não vivemos em função dos filhos e de torná-los The Best...ou seja, quando continuamos a ser os homens e mulheres que éramos antes deles nascerem, mantermos os nossos interesses, as nossas rotinas e hábitos (dentro daquilo que é possivel, pois sabemos que com um ser pequenino nem sempre é fácil), mas se não pode ir connosco aqui ou ali, ficará muito bem entregue aos avós ou tios durante umas horas, ou uns dias (quando já são mais autónomos).

E agora estão a achar me super egoista e isto e aquilo...não estou minimamente interessada na opinião dos outros em relação à MINHA vida...só não pretendo ser uma mãe frustrada como vejo muitas...tentam disfarçar e mostrar-se super felizes com a sua vida mas estão cheias de frustrações internas...espero ter condições para realizar mais este projecto com os ideais que possuo. São errados? Paciência, são os meus.

Quero uma criança que não tenha medo de sujar se na lama, que pinte com as mãos, que brinque com os animais, que conheça uma laranjeira de uma macieira,  que ande de bicicleta, que saiba que é da galinha que se faz a canja, que nada é eterno, que tudo muda, tal como as estações do ano, quero uma criança que conheça os avós, os primos, os tios, que brinque com eles, que saiba subir a uma árvore...quero uma criança que se sinta amada, e que 30 anos depois diga que teve uma infância feliz, da qual tem imensas recordações boas, experiências que a tornaram o ser que é...tal como eu...

Extremismos? Opiniões sem serem pedidas? Imposição de Ideais? Não, obrigado, eu não quero ser melhor do que ninguém, quero apenas ser o melhor que sou capaz, e ter consciência que segui as minhas escolhas sem influências externas.




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